Foi com visível satisfação que o governo e os patrões saíram da reunião de concertação social com o papel assinado.
Se a agenda ultra liberal do governo e os interesses dos patrões, não eram segredo para ninguém, já a postura da suposta central sindical UGT e do maior partido da oposição pode ter deixado algum espanto.
Foi ver o ministro Álvaro a não conseguir conter a alegria da sua primeira vitória política saboreando-a como se de um pastel de nata se tratasse, orgulhosamente referindo que se conseguiu ir muito para além do próprio memorando da troika.
Já o líder da UGT saiu da reunião procurando disfarçar a sua assinatura no acordo agitando a ridícula bandeira da vitória, mesmo depois de ter sucumbido ao canino ataque aos direitos dos trabalhadores que, supostamente, deveria defender.
João Proença, líder da UGT, qual bataton mas sem graça, socorre-se, ele próprio, das novas escrituras sagradas emanadas pela troika para justificar um acordo que põe os trabalhadores como alvo a abater como se fossem peças indesejáveis de uma engrenagem feita exclusivamente para servir a máquina de enriquecer que alguns têm a trabalhar a seu favor.
Do actual governo já se esperava este ataque sempre escudado no famoso memorando que para Passos Coelho é apenas a introdução do seu programa. Quando os mesmos argumentos são usados por um dirigente sindical com outras responsabilidades na defesa dos trabalhadores já se torna… estranho!!!
Do líder do PS, nem uma palavra. Este silêncio ensurdecedor, mostra bem a capitulação total da matrix ideológica dos socialistas e a sua dissolução perante o estado de coisas vigente
O sonho de Sá Carneiro não foi apenas conseguido como largamente superado, o PSD alcançou: um governo, uma maioria, um Presidente e mais um partido da oposição e uma central sindical!
Faz hoje 6 meses que a coligação entre PSD e CDS se concretizou na tomada de posse do actual governo liderado por Passos Coelho, que dá entrevistas semanais, e por Paulo Portas que optou por se tornar invisível.
A data de hoje torna-se importante assinalar porque há coisas que não nos devemos esquecer para não deixar que se repita!
O actual governo chega ao Poder assente em promessas de não aumentar os impostos sobre o consumo, de conseguir fazer descer o desemprego e fazer crescer a economia.
Precavendo-se das mentiras que sabia estar a contar ao povo, mas que eram necessárias para ganhar as eleições, o governo grudou num memorando imposto por alegados salvadores estrangeiros e que serve agora para desculpar todas as promessas nunca mais relembradas e muito menos cumpridas. Aliás o memorando serve agora como meta que não importa alcançar mas sim ultrapassar em muito.
É assim que em seis meses já foi colocada a dinamite na estrutura do Estado Social, para que se possa proceder à sua definitiva implosão nos próximos meses. Este edifício do Estado Social que sempre incomodou alguns sectores radicais do PSD e CDS, está agora vulnerável e com atestado de destruição assinado por estrangeiros e tudo.
Mas vamos apenas rever algumas medidas que foram tomadas e outras que não o foram. Sem qualquer preocupação com rigor cronológico importa apenas recorrer à memória para fazer o balanço dos primeiros seis meses PSD/CDS;:
O que não se viu acontecer.
Creio que em seis meses, de facto, não poderia ter sido feito mais. e pior! A Historia vai relembrar este período.
Nunca, mas mesmo nunca, será demais relembrar as promessas eleitorais com que Passos Coelho chegou ao Poder: não aumentar impostos, não cortar subsídios, não carregar a classe média e resolver a questão do desemprego. Tudo isto seria possível pois o culpado era exclusivamente o governo anterior e a conjuntura internacional não impediria o milagre do brilhante Passos Coelho.
Chegado à zona de conforto do Poder, rodeou-se de um grupo de cangalheiros da Nação e numa fúria punitiva desataram a castigar a classe média como se fosse a responsável por todos os males.
Já se conhecia antes das eleições o pensamento, ou aquilo que se pode chamar pensamento, de Passos Coelho que representava o pensamento dos seus protectores e que corresponde a um ultra liberalismo capaz de fazer corar alguns ultra liberais.
O mais surpreendente, no entanto, não foi a aplicação destas ideias mas sim a indisfarçável e assumida vontade de empobrecer o país. Todos os dias o grupo de cangalheiros da Nação, tiram mais umas medidas capazes de destruir mais uns empregos, reduzir mais uns salários e colocar-nos a todos (ou quase), numa situação de angústia diária.
Como um grupo de gestores encarregados de falir uma empresa e de despedir todos os trabalhadores, este grupo que atacou o Poder tem contribuído para o desemprego subir mais e cada vez mais.
Passos Coelho inventou ainda assim, um novo conceito e aponta a fronteira como serventia do país e convida os portugueses a saírem.
Um Secretário de Estado primeiro, manda os jovens saírem e o próprio Primeiro-ministro depois, manda os professores para África e Brasil porque já não têm espaço em Portugal.
Este deve ser de facto o sonho de quem quer, sabe-se lá porque vingar-se do povo e depois de criar uma legião de desempregados, o Primeiro ministro regozija-se a despedi-los de novo do próprio País.
Ao contrário dos comentários de muitos pessimistas que por ai andam que se apressaram a criticar os resultados da cimeira europeia considerada “decisiva”, classificando-os como muito modestos ou ineficazes, penso exactamente o contrário! A cimeira foi, de facto, decisiva e definitiva.
Com a última oportunidade que dispunham, os tiranetes europeus mascarados de lideres, olharam para os seus interesses e marcaram posições, longe de uma visão europeísta mas exclusivamente ligados a interesses políticos pessoais e de afirmação numa espécie de jogo de Xadrez pleno de estratégia mas oco de preocupações com os povos.
O chefe inglês, muito arredado das questões europeias e parco em comentários públicos durante todo o tempo em que assistiu ao desfazer do Euro, apressou-se a ameaçar vetar qualquer acordo “que não servisse os interesses ingleses”. Esta espécie de filial norte americana na Europa em que se transformou o Reino Unido, acordou determinado perante a perspectiva de um acordo europeu e encarregou-se o reduzir a nada cumprindo a sua ameaça de veto ao não ver a chantagem efectuada com êxito.
A solução punitiva e criadora do modelo alemão como exemplo único a seguir sem pestanejar por todos os povos, mesmo com a ajuda da sua mascote francesa viu assim a cimeira a prestar-lhe vassalagem mas sem efeitos práticos.
Passos Coelho, apresenta-se nestas cimeiras sempre com ar de quem entra num café e dá de caras com alguém famoso da televisão e fica deslumbrado sem saber o que dizer ou fazer. Acaba, por isso, a dizer disparates desconexos ora gritando contra o próprio povo a quem chama de mal comportado e gastador ora enviando autenticas pérolas de confiança como dizer que o tempo vai mostrar se trabalharam bem ou mal.
Esta postura de quem sempre teve alguém ao seu lado para decidir e mandar, torna-se deprimente quando o deixam sozinho frente a um microfone sem alguém a soprar o discurso.
Perante este cenário os mercados riem-se. Os terroristas financeiros intitulados de “agências de rating” vieram, com a pose de quem sabe que possui as armas, ameaçar de imediato que iriam “avaliar” a cimeira e depois decidir o que já está decidido: continuar o ataque às nações, aos povos sem encontrar qualquer resistência por parte dos fantoches tornados lideres europeus.
Acho pois que os comentários depreciativos sobre a cimeira não ter sido decisiva são falsos e injustos.
A cimeira foi conclusiva e não necessita de mais nada. Deste Xadrez saiu um xeque-mate. A conclusão poderia vir em apenas uma frase: Adeus Europa!
Decorre hoje em Portugal uma greve geral contra as políticas de austeridade do governo.
Vamos assistir, como sempre, à guerra dos números o que desvia a atenção daquilo que deveria ser essencial numa greve: as suas motivações, o descontentamento e a expressão de uma vontade que, de outro modo, não se faria ouvir.
A greve, apesar de em perigo de extinção, continua a ser uma das últimas formas de luta dos trabalhadores, que não podem fugir para off shores, não podem chantagear com ameaças de fugir com o capital, nem podem cortar as “recompensas” aos políticos.
De facto, este direito que tanto custou a conquistar, é hoje depreciado e criticado pela classe politica e mesmo por muitos cidadãos que rejeitam esta forma de luta mas a alternativa apresentada é a resignação, deixar cair os braços, abdicar da participação cívica porque “eles mandam e a gente tem que fazer…”.
A este facto também não estará alheio o unanimísmo político, corrosivo da democracia, que se vive em Portugal.
Após o assalto ao poder realizado em grupo pelo PSD e CDS utilizando a mentira e as falsas promessas como arma, o PS traiu, como sempre gostou de fazer, a esquerda moderada de um país que ficou sem margem de escolha e sem se reconhecer em qualquer representante político.
As posições divergentes, ficaram apenas representadas pela esquerda mais radical e com maior dificuldade de passar a sua mensagem fruto da conotação pouco positiva que foram construindo.
Convencem-nos assim, que ajudar Portugal é aceitar o caminho único apresentado pelos detentores de poder seja politico seja económico.
A isto junta-se o facto de sermos elogiados pelos nossos “educadores” europeus como “pessoas boas” o que no fundo quer apenas dizer que somos resignados ao poder, que deixamos cair os braços, que assistimos indiferentes ao que querem fazer de nós e caminhamos resignados para o precipício.
Parece ainda estarmos presos a muitos anos de subserviência de que alguns ainda têm saudades e que parece estar de novo mais perto do que nunca.
No dia seguinte à apresentação do Orçamento de Estado para 2012, o comboio da 7.30 da linha de Sintra ia cheio como sempre.
A diferença estava num silêncio muito mais pesado do que nos outros dias. Os rostos vergados deixavam antever o estado de choque em que muitos ficaram. Um ou outro passageiro arriscava fazer um comentário ao documento do governo mas rapidamente se silenciava pois o assunto era de facto incómodo embora todos parecessem estar a pensar nele.
Creio que estava ali uma pequena amostra dos “gastadores excessivos” dos últimos anos: trabalhadores que enfrentam os transportes diariamente com longas horas de trabalho pela frente até regressarem de novo aos dormitórios das grandes cidades, reformados que vão às suas consultas médicas, estudantes, enfim toda a sorte de gente rica ia ali no comboio das 7.30.
Entre aqueles que votaram no primeiro-ministro actual e aqueles que não o fizeram, parece haver uma espécie de estado de negação. Sobre Sócrates já só se faziam comentários inflamados sobre o seu discurso mentiroso. Depois surge Coelho que promete fazer tudo aquilo que Sócrates não faiamas qwe se desmente a si próprio no orçamento. Como pode ser possível a esperança ser atraiçoada desta forma vil por uma trupe de mentirosos que assaltaram o poder e as pessoas a quem queriam salvar das garras do tirano dos impostos?
Das promessas de não subir impostos e da protecção do subsídio de natal e férias surgem afinal os cortes dirigidos aos ricos que andam de comboio.
Os transportes, considerados como artigos de luxo, são brutalmente aumentados e muitas outras medidas apontam agora aos ricos dos trabalhadores e pensionistas.
Sem um pingo de capacidade de assumir responsabilidade política, se não por si, pela sua família partidária, a culpa é lançada para cima de todos que afinal vivemos acima das possibilidades.
Esqueceram, no entanto de dizer que nunca deixámos de ser o país mais pobre da união europeia, que sempre tivemos as reformas mais baixas da UE, que sempre tivemos as piores condições de trabalho, que nunca descemos dos dezoito por cento de pobreza, que crescemos de forma desordenada nas periferias das cidades onde os dormitórios servem para sobreviver. São estes afinal que viveram acima das suas possibilidades.
Terem alcatroado o país para favorecer empresas de construção, encharcarem a administração central e local de amigos, destruírem toda a capacidade de produção nacional, assinarem contratos PPP inclinados onde os lucros escorrem em abundância para a parte privada e os prejuízos ficam no públco, buracos da Madeira, vigarices nos bancos, disto nada se fala.
Não admira que no comboio da linha de Sintra das 7.30 todos vão em silêncio numa espécie de luto do país que antes de o ser irá ser destruído.
As culturas suburbanas das grandes cidades estão repletas de gente boa, que fazem dos seus dias, jornadas de trabalho sério, de longas horas perdidas no trânsito ou nos transportes para ganharem a vida de forma honesta e com muitos sacrifícios.
Trata-se de gente que por estes dias são apelidados de gastadores excessivos e tidos como ricos que importa espremer, só porque ousaram ter casa hipotecada ao banco ou ter carro próprio.
Também nestas culturas, surgem pessoas que mentem e que tudo fazem para alcançar os seus objectivos.
O caso mais recente, chegou a chefe da nação, e utilizou a sua suposta condição popular para atacar o governo.
Na campanha eleitoral, o actual primeiro-ministro não se cansava de chamar mentiroso ao seu antecessor. Criticava as medidas recessivas, os aumentos de impostos, desvalorizava a crise internacional e garantia ter a receita milagrosa para cortar apenas nas gorduras do estado e tornar o país economicamente robusto.
Sabemos hoje que não fazia a mínima ideia do que falava. Chegado ao governo com a cartilha escrita, rodeou-se de gente como ele e sem qualquer pingo de vergonha, utilizou o argumento gasto de que as coisas estavam piores do que se pensava.
Das promessas de não subir impostos, de cumprir apenas o acordo com a troika, de cortar nas gorduras do Estado, nada sobrou.
Ficámos todos a saber que as gorduras afinal eram o Serviço Nacional de Saúde, a educação e a segurança social. Coisas sem importância.
E os impostos não mais pararam de subir. A electricidade viu-se brutalmente aumentada, os transportes subiram em flecha, as deduções fiscais desapareceram, a apropriação do subsídio de Natal foi imposta. Mas estas foram apenas medidas para preparar o terreno, para testar até onde pode chegar o descaramento e a mentira.
Para 2012, mais impostos, mais aumentos na saúde, transportes, educação e corte total de subsidio de Natal e de férias aos funcionários públicos, aumento do horário de trabalho, corte dos feriados e muitas outras medidas que fazem esquecer tudo aquilo que utilizou como armadilha para chegar ao governo.
Passos Coelho afirma com ar de velório alegre, que “nunca pensou ter que tomar estas medidas” assumindo de forma clara que as promessas de campanha eram vazias, populistas, sem fundamento, sem rigor, enfim… um completo embuste para ganhar eleições.
Foi com pele de “povo” e ar de humildade e com promessas falsas, que atacou o governo, chamou amigos para o bando e iniciou o ataque aos que trabalham, à economia do país e colocou como prioridade a subserviência ao estrangeiro, mas recompensado por chegar ao poder.
As culturas suburbanas têm destes contrastes. Os que trabalham arduamente para tentar sobreviver e os que mentem sem rodeios para alcançar os seus objectivos, conduzindo os antigos vizinhos à pobreza e ao desespero.
A Europa está a desfazer-se! As conquistas civilizacionais do pós guerra estão a ser destruídas por um sistema financeiro tentacular que tudo absorve.
Conforme a história vai tornando a memória da velha Europa mais difusa e os ideais europeístas mais longe dos princípios que lhes deram origem, abre-se a porta à tomada de assalto de líderes fracos e políticos ao serviço do sistema financeiro.
Longe parecem já ir os tempos de líderes europeus com preocupações de construir uma Europa solidária e assente em princípios humanitários.
O que temos agora é um conjunto de líderes pequenos, mal preparados, cobardes e de joelhos perante o sistema financeiro que não hesita em atropelar os povos e conduzi-los à miséria.
A Grécia, transformou-se numa espécie de bombo da festa e serve apenas para as comparações negativas.
A França tenta a todo o custo preparar a queda da Grécia de forma a safar os seus bancos e conseguir proteger-se a si mesma.
Já a Alemanha, com uma terrível amnésia histórica, entretém-se a dar lições de moral aos povos, ralhetes aos gastadores e piadas à soberania dos outros países europeus.
A crise do sistema financeiro é assim atribuída ao povo e aos hábitos preguiçosos das populações, isentando a desregulação e a ganância dos mercados.
Na Grécia, não existe nenhum politico, dos que falsificaram os números do Estado, preso, nem mesmo das conceituadas empresas que os ajudaram na trafulhice. Os verdadeiros responsáveis saíram ilesos das suas vigarices e a critica cai agora sobre alegada opulência popular.
A Portugal resta o papel de rastejar perante “os grandes”. Qual caniche empoleirado nas patas traseiras e de língua de fora, fazemos gracinhas e tudo o que nos mandam para agradar aos poderosos e sedentos de um torrão de açúcar como um elogio da Sra. Merkel.
Também Portugal parece esquecer a solidariedade que esteve na base da construção europeia e numa espécie de gregofobia, não se cansa de apregoar a nossa diferença e de que como somos melhores do que os gregos.
Esta figura deplorável dos alegados líderes europeus, pode salvar o sistema financeiro, mas a solidariedade europeia e os valores humanistas, esses não deverão ter salvação.
Que a Madeira era um Jardim, já todos sabíamos. Um Jardim perigoso, dominado por caciques que nas suas mãos têm o poder económico dominam a comunicação social e distribuem cargos na função pública e “tachos” em empresas públicas como quem dá canetas em campanha eleitoral.
A Madeira é um Jardim com décadas de existência sem nunca ter sido limpo, tornando-se um local perigoso para quem ousar não gostar da “lei” vigente.
A grande surpresa, ou talvez não, dos últimos dias é que todo o Portugal é, afinal, um Jardim.
Conforme se vai percebendo que o buraco nas contas da Madeira, é muito maior do que todos os buracos feitos na ilha para passarem os “popós” dentro das montanhas, vamos também percebendo que as contas em ordem e o rigor financeiro são apenas desculpas pra sacar dinheiro a quem trabalha.
No continente, já nos tínhamos apercebido que não éramos malta para nos ofender muito com as trafulhices dos caciques das autarquias. Em geral, um autarca trafulha é um autarca reeleito. Mesmo que se pirem para o estrangeiro, sabe-se que as leis estão feitas para lhes reservar os lugares quentinhos.
Com as gargalhadas e o desprezo com que o presidente da Madeira se refere aos milhões que estão em divida, às provocações dirigidas ao Ministério Público e a independência proclamada do PSD Madeira, percebemos bem que jardins há muitos.
Perante isto temos um primeiro-ministro a dizer de forma corajosa quase louca, que não iria à Madeira fazer campanha ao lado do presidente da Madeira. Ficámos muito mais aliviados apesar de, afinal, o primeiro-ministro nem sequer ter sido convidado para tal.
Já o presidente da república com a energia que se lhe conhece e isenção tão característica não disse nada, pelo menos que se percebesse…
É assim que percebemos todos que Portugal todo é um Jardim. Gastem, trafulhem, gozem, não se passa nada neste nosso Jardim cada vez mais enlameado.
As imagens de gangues estão na ordem do dia. Cenas de violência, roubos de lojas e pilhagens realizadas por gangues em Londres, deixam-nos indignados e perplexos sobre a natureza humana e como se podem chegar a extremos de desprezo pelos outros.
Mas como em quase tudo na vida, existe o luxo e a pobreza: restaurantes de luxo e tascas, iates de luxo e traineiras, carros de luxo e carroças e até “acompanhantes” de luxo e prostitutas. Percebe-se que o modelo de sociedade não difere muito entre ricos e pobres a não ser que aquilo que existe, existe na versão luxuosa e na versão pobreta!
Esta dicotomia, atingiu também a formação dos gangues. Malta jovem dos subúrbios, de boné e cara tapada, assaltam lojas de roupa de marca, atiram-se a telefones de última geração rebentando com a montra que os impedia de lhes chegar e de caminho mostram indignação e incendeiam carros. De imediato, têm a polícia de choque atrás de si, detenções, violência, repressão até acalmar os ânimos e fazerem, regressar essa malta aos seus guettos nos subúrbios das grandes cidades.
Mas também aqui existe a versão luxuosa. Depressa alguns perceberam que andar a fugir à polícia não é agradável e levar umas bastonadas ou ir “dentro” não é o sonho de ninguém.
Temos então agora organizados alguns grupos que dominam o mundo e não apenas umas ruas em qualquer cidade. Na versão luxuosa, três organizações em Nova Iorque ditam e desditam as leis da economia mundial num terreno sem regras, destruindo aquilo que querem servindo os seus interesses de ganância e de poder bem como os interesses dos seus pares.
Muito bem organizados, com objectivos comuns e estratégia definida, actuam de forma concertada e sem piedade ou qualquer sentido de justiça, tal como os gangues dos pobres.
Os governos das nações, prontos a responder com canhões de água e bastonadas aos pobres, são depois incapazes de responder aos gangues de luxo. Depois de se terem prostituído com o poder económico e interesses privados amarrotando o mais que puderam o poder dos Estados, não resta aos políticos mostrarem os seus “tomatinhos” contra os gangues pobres porque contra os gangues de luxo nada podem.
Os gangues pobres roubam, ténis, telefones, plasmas, incendeiam carros da polícia e mais uma serie de canalhices. Os gangues de luxo, pilham os direitos sociais dos povos, saqueiam os seus magros rendimentos com impostos e cortes salariais, incendeiam empregos e muito mais lojas têm que fechar por causa destes gangues, agridem os povos e insultam os trabalhadores de tudo e mais alguma coisa, condenando milhares ao desemprego à fome e à exclusão. A grande diferença afinal é apenas que uns usam capuzes para esconder a cara e têm que fugir à polícia. Os outros usam gravata e gozam com o mundo inteiro.
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